Este blog visa registar algumas reflexões e inquietações ao longo do meu percurso formativo no Doutorado. Também socilizar outros pensamentos e informações que possam contribuir com os debates na área de Educação e Tecnologias.
domingo, 7 de outubro de 2012
Software Livre: questão política ou técnica?
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Letramentos: vivências plurais
sábado, 22 de setembro de 2012
Inclusão Digital: outras reflexões
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Do que se fala quando o assunto é inclusão digital: aproximações
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Tecnologia Assistiva e inclusão social
sábado, 12 de maio de 2012
Mobilidade e Convergência
domingo, 6 de maio de 2012
Seminário Interatividade
domingo, 29 de abril de 2012
A nossa blogosfera
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Objetos de aprendizagem: reflexões iniciais
O leitor, o texto e o hipertexto
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Desafios da democracia e da ciberdemocracia
Antes de chegar nos autores citados, retomarei algumas idéias que considero importantes para a reflexão aqui proposta e que podem suscitar um debate bem rico. A primeira seria a relação entre as esferas pública e privada e a constituição do que se pode denominar de democracia moderna. Para Patrocínio (2008) o conceito de cidadania é uma construção histórica, cultural, e não ontológica, que remete às raízes gregas da vida na pólis. Ao conceito foram associadas as relações de poder, as questões de representação, de direitos e deveres e, posteriormente, condicionada às identidades nacionais com a estruturação dos Estados-nação na época Moderna. Para o autor, dessa herança Greco-romana, surge uma concepção simplificada de cidadania, associada apenas ao funcionamento das instituições políticas, denotando mais conformidade do que participação e sem um engajamento com outras dimensões sociais. Também salienta que o termo é tratado como uma significação neutra:
Muitas considerações sobre a cidadania vêem-na como uma categoria de algum modo neutra, ao longo dos tempos, na qual se incluem todo o tipo de estatutos sociais, como se na verdade todos participassem de forma livre e paritária na vida social, política, económica ou cultural de cada uma das sociedades em que se integram. (p. 48)
Já Chauí (2007) argumente que a crise de valores que vivenciamos nos remete a submissão da esfera pública, enquanto espaço de negociação de valores sociais, aos interesses privados e privatistas de uma classe social; o Estado, mediador das relações na esfera pública assumindo um caráter privatista: “Declara-se o fim da separação moderna entre o público o privado, em benefício do segundo termo contra o primeiro, fazendo-se o elogio da intimidade e criticando-se os pequenos poderes na família, na escol e nas organizações burocráticas[...]” (p. 490). No Brasil, argumento que o Estado historicamente não se configurou como uma esfera de mediação entre os interesses dos grupos e classes sociais, sendo constituído a partir de acordos políticos numa perspectiva paternalista, em relação a aristocracia agrária e a pseudo-burguesia, e patrimonialista e autoritária em relação à gestão pública e . Por conseguinte, a participação da sociedade brasileira nos espaços de deliberação sempre foi muito limitada, resumindo-se a momentos (como a eleição, os plebiscitos) e não a um processo de engajamento e decisão coletiva. As revoltas, mobilizações, os movimentos organizados sempre foram duramente reprimidos para se criar um imaginário coletivo, um mito de uma sociedade pacífica e sem conflitos. É nesse contexto que busco pensar nossa ciberdemocracia.
Nesse momento de reflexão, apenas um recorte diante de um tema tão complexo, vejo o esvaziamento dos espaços democráticos de debate e deliberação em diversas instituições, mas em especial na universidade. Cada vez mais as decisões são centralizadas e hierárquicas, estabelecendo-se uma lógica feudal de organização dos Conselhos Superiores e de subordinação dessa autarquia aos direcionamentos dos governos, no melhor estilo suserania e vassalagem (as instituições mais obedientes – aquelas que produzem os resultados esperados e que são adeptas do pragmatismo liberal – recebem mais incentivos e recursos financeiros). Um paradoxo para uma instituição que surgiu em plena Idade Média como um espaço de formação de intelectuais (Le Goff) que se estabelecia por uma lógica aberta, de debates e de intercâmbio de conhecimentos, bem distinta de outras instituições feudais. Temos a configuração da universidade instrumental ou operacional (Chauí) que visa a realização de metas do Estado. Estabelece-se uma equação perversa: diminuem-se os espaços de deliberação coletiva, aumentam-se os mecanismos de opressão (assédio moral, processos administrativos disciplinares). A vivência no sindicato trouxe uma visão política mais ampla sobre a universidade e mais engajada na luta por um projeto de universidade democrático e de relevância social.
domingo, 1 de abril de 2012
Santaella e o pós-humano
Ao contrário do extremismo que marca algumas análises sobre a cultura digital e as implicações das TIC na organização social, Santaella faz a defesa da necessidade de análises e estudos que busquem compreender a complexidade da chamada cultura do virtual ou cibercultura, salienta que devemos rever categorias e conceitos visando uma compreensão menos superficial desse contexto . Nesse propósito, traz a organização do desenvolvimento (ñ sei se é a melhor palavra) cultural em seis eras ou seis formações culturais, que a autora pondera não são etapas lineares pois “[...]há sempre um processo cumulativo de complexificação[...]”. Essa proposição traz a idéia de transformações processuais em que um aperfeiçoamento tecnológico é fruto de acumulações de conhecimentos e aprimoramento de invenções/intervenções. Lembrei-me dos tempos da Escola Técnica, parecia que o transistor era a grande invenção e que tudo seguinte era resultado, na verdade, de um processo de minituarização: um C.I continha vários transistores, depois o processador (o 8086) continha vários C.I., nossa sou da época do XT, estudei linguagem Assembler, que hoje parece a pré- história dos computadores. Mas para quem acompanhou esse desenvolvimento mais de perto, parece menos impactante, menos assustador. As empresas de telecomunicações começavam a fazer investimentos em fibra ótica na estrutura da transmissão de dados, e sem essa infraestrutura pouco avanço seria possível para a configuração posterior da internet. Mas a internet parece que acelerou esses processos. Fecha parêntese!
Retomando as eras de Santaella, ela define seis tipos de formações: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massas, a cultura das mídias e a cultura digital. A cultura das mídias caracterizada pelo consumo individualizado da informação e a mistura entre linguagens e meios; situa na década de 80 quando os equipamentos e dispositivos permitiam uma cultura do disponível e do transitório. A cultura digital, ou cultura do virtual ou cibercultura caracteriza-se pela convergência das mídias e “[...] pela exacerbação que a produção e circulação da informação atingiu nos nossos dias[...]”. Ela critica a idéia de que as transformações culturais são determinadas apenas pelas tecnologias e meios de comunicação, mas que é necessário entender as transformações nas linguagens e pensamentos que condicionam as formações culturais.
Outro ponto que quero destacar é a pertinência de se pensar a cultura digital vinculada ao capitalismo global e os desdobramentos dessa relação. Santaella afirma que os investimentos do capital de sido significativo nas TIC o que resulta também em sua disseminação. Nesse âmbito nunca é demais lembrar que o desenvolvimento e a produção de equipamentos computacionais, especialmente nessa configuração econômica globalizada, está pautada na diminuição de custos de produção via a super-exploração da mão-de-obra nos países que produzem o hardware, os chamados Tigres Asiáticos. Um artigo publicado no site Pijama Surf denunciava-se a exploração da mão-de-obra infantil nas fábricas de iPhone, iPad etc instaladas na cidade de Shenzhen, na China, como aquelas crianças e adolescentes de 13 a 16 anos, que recebiam 70 centavos por 16 h diárias de trabalho,estavam excluídos da possibilidade de aquisição desses produtos e como isso era contraditório com todo o marketing que envolvia/envolve o lançamento de cada produto da Apple. Claro que essas questões não se resumem a uma discussão tecnológica, mas as opções sociais e políticas que resultam nesse estágio ou fase de nosso processo civilizatório.
Bem, as leituras propostas (ainda não dei conta de todas L) e essas postagens têm permitido sistematizar e aprofundar muitas reflexões. Talvez não tenha se configurado como um canal de comunicação, isso é perceptível pelos acessos, comentários e outras interações (ou melhor, pela falta delas). Mas tem sido um divã, onde me deito e dou asas ao pensamento, nas minhas tardes/noites de domingo (aliás, ô dia que a internet é lenta!!!).
domingo, 25 de março de 2012
As etapas tecnológicas, as TIC, as leituras e Hugo Cabret
m que entremeia ficção e realidade, o olhar e a tela. No geral, o filme fala dos anseios e sonhos por trás das invenções, esse processo de artificialização da existência (Arendt, 2004), que dá forma a uma imaginação individual e sintetiza, talvez, a mentalidade coletiva de uma sociedade. As engrenagens dos relógios mecanizando um tempo antes marcado por processos naturais, a perna mecânica do guarda da estação que ao mesmo tempo que permite seus movimentos tirados pela Grande Guerra, o constrange diante da florista, a grande biblioteca onde os livros (essa fantástica tecnologia) transportam os leitores para outros tempos, outras sociedades (como Julio Verne e suas viagens ao desconhecido), os trens e sua velocidade encurtando distâncias, esse elementos compõem a narrativa que nos envolve no filme. Num diálogo bem significativo na biblioteca o menino diz a jovem amiga ‘tudo tem um propósito, até as máquinas: os relógios dizem as horas, e os trens te levam a algum lugar, elas fazem o que deveriam, como Ms. Labise. talvez por isso as máquinas quebradas me deixam tão triste, elas não fazem o que deveriam. Talvez seja igual com as pessoas. Se você perde seu propósito, é como estar quebrado’ expressa-se sabiamente Hugo Cabret.Nesta chamada fase da ubiqüidade, um ponto interessante discutido no texto de E. Correa diz respeito ao controle na rede: a comunicação na rede depende da transmutação em protocolos que funcionam como uma ‘identidade’ dos sujeitos e objetos que circulam e se comunicam na rede, uma codificação das trocas: “em termos práticos, se os protocolos são construídos pelo próprio ser humano para possibilitar as trocas em rede, então é condição inerente da rede a existência do controle da forma de acesso e a construção lógica das informações que nela circulam.” (p. 49). Isso redimensiona as esferas pública e privada da vida social. A comunicação coletiva e a troca de informações por meio de dispositivos digitais, a busca por condições e por um espectro de conectividade caracteriza, segundo Corrêa (2009), a cibercultura, cria uma nova “instância de compartilhamento do público e do privado”, um espaço paralelo.
ras e discussões nesse primeiro mês do doutorado têm me trazido mais inquietações do que respostas, fui realmente tirada da posição de conforto das construções intelectuais que me trouxeram até aqui. Me sinto como na imagem ao lado, ao mesmo tempo consciente de ser uma mulher do meu tempo, condicionada pela finitude de minha existência e um pouco presa nos tempos/espaços institucionais. Mas penso que o processo é esse mesmo.E são essas reflexões provisórias, as vezes desconexas e meio caóticas, que tem ajudado a reconstruir o meu lugar nessa ampla discussão em Educação e Tecnologias. segunda-feira, 19 de março de 2012
A ciência, a sociedade, a escola
Bonilla (2005) aborda em seu artigo os dilemas que envolvem a produção de conhecimento científico frente as transformações culturais e sociais atuais “.[..] as transformações científicas e tecnológicas estão intimamente relacionadas com as alterações que vêm ocorrendo nas relações e nas formas de organização social”. Aborda como os conceitos de verdade e realidade se transformaram ao longo da história, vinculados a uma ordem social e a uma cosmovisão. Muitos dos questionamentos a que está submetida a produção do conhecimento científico decorre de uma crise na crença do progresso e da ciência desencadeada após as Grandes Guerras do século XX quando todo conhecimento técnico/científico acumulado, antes associados a idéia de civilização foram instrumentos da “barbárie” da disputa entre as potências industriais; desde então qualquer pressuposto de neutralidade da ciência estava “em xeque”, pois as implicações sociais e políticas que envolvem a produção científica não são condicionantes fundamentais para entender seus direcionamentos.
Sobre a produção de conhecimento na escola, penso que há alguns aspectos a se considerar: escola e os sistemas educacionais trabalham numa lógica reprodutivista de conhecimento, o que muitas vezes inibe a pesquisa e a produção de conhecimento e cultura a partir do contexto educacional, como idealizava P. Feire, Giroux e outros autores; a concepção de ciência abordada tb envolve uma perspectiva total, típica da modernidade que depositava na Ciência toda responsabilidade de explicação da realidade, o principal parâmetro de saber a partir do qual os outros são julgados; as simplificações em nome da chamada “transposição didática” abordam a ciência; a abordagem do conhecimento científico enquanto produto e não como processo, esvaziando sua historicidade, conforme Leite (1993).
"Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um Deus fugaz
Que faz num momento
E no mesmo momento desfaz
Esse vago Deus por trás do mundo
Por detrás do detrás"
A ciência trabalha com recortes e com verdades provisórias pois o real não se reduz a representação que se faz dele através do conhecimento científico. Penso que é importante conhecer-se o processo de construção da ciência, os condicionantes envolvidos, as motivações, as subjetividades, as submissões, os avanços e retrocessos, a divulgação e silenciamentos desse conhecimento, ou seja, a opacidade que envolve o fenômeno em si, mas que envolve tb sua divulgação social.
domingo, 18 de março de 2012
Outras reflexões a partir de Bauman
Vivenciar esses momentos de transformações e produzir reflexões lúcidas sobre o contexto atual requer a habilidade de dialogar com diferentes teorias e campos do conhecimento para buscar a construção de nossas próprias significações. Na leitura do texto proposto de Bauman, num primeiro momento, fiquei envolvida com suas argumentações sobre a “modernidade líquida”, um outro momento, uma outra fase da modernidade (antes contida na metáfora do relógio como pontua A. Primo, ou da solidez em contraponto com a fluidez que caracteriza o momento atual); a construção textual de Bauman realmente cria uma rede de significações que envolve as teoria, o contexto social, as suas vivências e seu cotidiano. Busquei situar o autor em uma determinada corrente filosófica (seria Bauma pós-moderno? Marxista também não era), mas a cada página de leitura essa identificação ficava ainda mais confusa por que o autor, no meu entendimento, se deteve mais a um esforço de compreensão da sociedade atual do que a um dogmatismo conceitual, o que em nenhum momento trouxe incoerência e inconsistência a seus argumentos.No vídeo outras nuances do seu pensamento afloram. A condição social do mundo pós-moderno é marcada pela passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo e pela fragmentação da vida humana (vida em episódios). Nesse contexto situa 02 processos irreversíveis: a interconexão (o mundo interdependente) e o dilema ambiental (limites de suportabilidade do planeta). No plano político, nos diz que há perigos para a democracia, pois o modelo de democracia atual está pautado nos limites do Estado-nação e há necessidade de instituições que dêem suporte a uma democracia global; a democracia entra em crise pois o modelo de Estado democrático construído no pós-guerra, atualmente, não consegue oferecer as condições mínimas de cidadania que prometeu, terceirizando suas funções (a ex. das atividades de ONG, instituições assistencialistas).
O sociólogo também situa as diferenças entre os laços sociais anteriormente construídos, baseados na idéia de comunidade, e os laços da rede digital pautados em 02 atividades básicas: conectar e desconectar. Interessante que o autor coloca como “o desconectar” caracteriza as relações nas redes sociais, o que no contato físico é mais difícil, traumático, no ciberespaço, basta um clique. Pessoalmente, demorei para entender essa lógica nas redes sociais, minhas estatísticas de amigos nunca subia na mesma proporção que a de outras pessoas que utilizavam os mesmos espaços e, na verdade, me deixava angustiada ver tanta gente ‘linkada’ ao meu perfil, pessoas que eu nem conseguia efetivamente interagir. Na verdade, é essa possibilidade de desconectar que motiva as pessoas a estabelecerem tantos “laços virtuais”; no plano físico buscamos sempre limitar a quantidade de pessoas com as quais interagimos e que podem gerar algum desconforto ou conflito. Para além dos espaços públicos não civis, que Bauman descreve no livro, nos outros espaços de interação (a sala de aula por ex.) vale a máxima “quanto menos somos, melhor passamos”.Na sua reflexão sobre a vida, a existência, coloca a “ a vida como criação” e como a felicidade está relacionada com a capacidade de dar sentido e forma a vida que se quer “há muitas formas de ser feliz”, ligadas segundo Bauman a 02 fatores: o destino (os condicionantes que não são escolhidos por nós) e o caráter; a vida de Sócrates surge como exemplo de vida escolhida. Há alguns meses, o senador Cristovão Buarque, inspirado talvez num movimento social que pleteia a felicidade como direito de cidadania (não recordo aqui o nome do movimento), pautou essa discussão no plano político brasileiro, ao pautar o debate sobre a inclusão desse tão complexo conceito entre os direitos fundamentais, ao lado de outros como saúde, educação, segurança. O que definiria do ponto de vista jurídico a amplitude ou limite a realização desse direito, carregado de ambivalência, contradições e subjetividades? No plano mais coletivo, a civilização vive sua ambivalência no dilema entre segurança e liberdade, e que em cada momento tendemos a abrir mão de um para consolidar o outro e construir o seu padrão civilizatório atual(no momento atual estamos buscando mais segurança, mesmo ao custo de abrir mão de certos padrões civilizatórios de liberdade).




