O tema Objetos de
aprendizagem a princípio parece muito próximo dos professores que
lidam constantemente com os processos de ensino/aprendizagem de
alunos. De forma ampla penso que todos os meios ou dispositivos ou
ambientes utilizados para promover a aprendizagem seriam os tais
objetos. No plano mais filosófico podemos pensar na própria
construção do conhecimento a partir da relação sujeito-objeto (na
perspectiva construcionista que estudamos na disciplina do prof.
Roberto Sidnei). Aqui o recorte são os objetos de aprendizagem que
tem como suporte as Tecnologias Digitais (as redes telemáticas)
utilizadas na educação on line e outros sistemas de aprendizagem em
rede.
Me detive na leitura de
DIAS, Paulo. Desenvolvimento de objetos de aprendizagem para
plataformas colaborativas que
foi indicada pelo grupo responsável pelo Seminário (uma boa
indicação). O autor entende a Web não apenas como um depositório
de informações, mas como redes que permitem a construção coletiva
e colaborativa de aprendizagens, especialmente através das
comunidades. Ele aponta que pensar na aprendizagem on line requer
novos fundamentos educacionais, assim como “[...]
flexibilização dos modelos organizacionais dos conteúdos que estão
na origem do conceito de objeto de aprendizagem (Hodgins, 2002;
Wiley, 2002).” (p.
163). Além
desses aspectos pontua a necessidade de uma atitude pro-ativa por
parte dos estudantes que se lançam na aprendizagem on line que
requer disciplina, autonomia e competências metocognitivas de
aprendizagem: “[...] aprendizagem as quais, no ambiente on-line,
são definidas a partir da capacidade de aprender a aprender
individual e colaborativamente através da pesquisa, da interacção
e da construção partilhada e conjunta do conhecimento.” (p. 164).
Saleienta que o objeto de aprendizagem não se reume ao conteúdo mas
também ao processo que envolve a colaboração e a própria
modelagem dos processos de ensino/aprendizagem.
Na
definição de objetos de aprendizagem toma como referência as
Ciências da Computação e a definição de Wiley (2002) como
“qualquer
recurso digital que pode ser reutilizado para suportar a
aprendizagem”, pequenas
unidades de instrução. A flexibilidade dos objetos de aprendizagem
está pautada em duas características: a combinação (capacidade de
adaptação a diversas plataformas e propostas educacionais) e a
granularidade (relativa a dimensão do objeto). O autor amplia essa
perspectiva ao analisar que para as comunidades colaborativas, os
objetos de aprendizagem possuem organização e complexidades
próprias e devem possibilitar a utilização em processos de troca e
construção de conhecimento mais complexos do que na aprendizagem
individual.
Concordo
com o autor que a construção de comunidades de aprendizagem on line
envolve quastões mais complexas que apenas a disponibilização de
plataformas de acesso a conteúdos. Depende da interação,
participação e engajamento dos sujeitos na busca por objetivos de
aprendizagem. Acrescento que a questão metodológica também influencia. Pessoalmente, não gosto do modelo de educação on line que utiliza a tutoria, vejo que o processo de ensino-aprendizagem e sua organização fica bem fragmentado: uns elaboram o curso, outros formatam, outros (os tutores) acompanham algo que não conceberam e nem participaram da elaboração. Penso que o Moodle é uma Plataforma que possibilita uma maior integração dos processos: o mesmo professor pode elaborar, acompanhar os alunos e modelar seu ambiente de aprendizagem; mas isso para turmas reduzidas, pois não é comunicação em massa!!!
No plano das políticas públicas, a educação a
distância on line tem aparecido como solução para a democratização
da formação, após todo um longo processo de exclusão da maioria
dos brasileiros, especialmente do Ensino Superior e para os processos
de diplomação de professores. Muitas vezes, os projetos de formação
seguem uma lógica de aligeiramento da formação que não contribui
qualitativamente com uma educação democrática e de qualidade.
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