segunda-feira, 23 de abril de 2012

Objetos de aprendizagem: reflexões iniciais


O tema Objetos de aprendizagem a princípio parece muito próximo dos professores que lidam constantemente com os processos de ensino/aprendizagem de alunos. De forma ampla penso que todos os meios ou dispositivos ou ambientes utilizados para promover a aprendizagem seriam os tais objetos. No plano mais filosófico podemos pensar na própria construção do conhecimento a partir da relação sujeito-objeto (na perspectiva construcionista que estudamos na disciplina do prof. Roberto Sidnei). Aqui o recorte são os objetos de aprendizagem que tem como suporte as Tecnologias Digitais (as redes telemáticas) utilizadas na educação on line e outros sistemas de aprendizagem em rede.

Me detive na leitura de DIAS, Paulo. Desenvolvimento de objetos de aprendizagem para plataformas colaborativas que foi indicada pelo grupo responsável pelo Seminário (uma boa indicação). O autor entende a Web não apenas como um depositório de informações, mas como redes que permitem a construção coletiva e colaborativa de aprendizagens, especialmente através das comunidades. Ele aponta que pensar na aprendizagem on line requer novos fundamentos educacionais, assim como “[...] flexibilização dos modelos organizacionais dos conteúdos que estão na origem do conceito de objeto de aprendizagem (Hodgins, 2002; Wiley, 2002).” (p. 163). Além desses aspectos pontua a necessidade de uma atitude pro-ativa por parte dos estudantes que se lançam na aprendizagem on line que requer disciplina, autonomia e competências metocognitivas de aprendizagem: “[...] aprendizagem as quais, no ambiente on-line, são definidas a partir da capacidade de aprender a aprender individual e colaborativamente através da pesquisa, da interacção e da construção partilhada e conjunta do conhecimento.” (p. 164). Saleienta que o objeto de aprendizagem não se reume ao conteúdo mas também ao processo que envolve a colaboração e a própria modelagem dos processos de ensino/aprendizagem.

Na definição de objetos de aprendizagem toma como referência as Ciências da Computação e a definição de Wiley (2002) como “qualquer recurso digital que pode ser reutilizado para suportar a aprendizagem”, pequenas unidades de instrução. A flexibilidade dos objetos de aprendizagem está pautada em duas características: a combinação (capacidade de adaptação a diversas plataformas e propostas educacionais) e a granularidade (relativa a dimensão do objeto). O autor amplia essa perspectiva ao analisar que para as comunidades colaborativas, os objetos de aprendizagem possuem organização e complexidades próprias e devem possibilitar a utilização em processos de troca e construção de conhecimento mais complexos do que na aprendizagem individual.

Concordo com o autor que a construção de comunidades de aprendizagem on line envolve quastões mais complexas que apenas a disponibilização de plataformas de acesso a conteúdos. Depende da interação, participação e engajamento dos sujeitos na busca por objetivos de aprendizagem. Acrescento que a questão metodológica também influencia. Pessoalmente, não gosto do modelo de educação on line que utiliza a tutoria, vejo que o processo de ensino-aprendizagem e sua organização fica bem fragmentado: uns elaboram o curso, outros formatam, outros (os tutores) acompanham algo que não conceberam e nem participaram da elaboração. Penso que o Moodle é uma Plataforma que possibilita uma maior integração dos processos: o mesmo professor pode elaborar, acompanhar  os alunos e modelar seu ambiente de aprendizagem; mas isso para turmas reduzidas, pois não é comunicação em massa!!!
No plano das políticas públicas, a educação a distância on line tem aparecido como solução para a democratização da formação, após todo um longo processo de exclusão da maioria dos brasileiros, especialmente do Ensino Superior e para os processos de diplomação de professores. Muitas vezes, os projetos de formação seguem uma lógica de aligeiramento da formação que não contribui qualitativamente com uma educação democrática e de qualidade.

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