quinta-feira, 17 de maio de 2012

Tecnologia Assistiva e inclusão social


Esse tema “Tecnologia Assistiva” é de fundamental importância para se pensar uma sociedade plenamente igualitária. Apesar de defender politicamente a inclusão das pessoas com deficiência, a falta de leitura e aprofundamento coloca meu discurso mais no plano do senso comum, sem pensar nos fundamentos dessa inclusão. O texto sugerido (um deles) “Tecnologia Assistiva: de que se trata?” de Teófilo Galvão F° resgata tanto o aspecto conceitual quanto os marcos legais sobre essas tecnologias. Penso que é uma incompletude discutir TIC e não ter apropriação teórica sobre Tecnologia Assistiva.

Durante a leitura, relacionei com algumas experiências pessoais que foram importantes pontos de aproximação com o tema. A primeira foi uma experiência na rede municipal que me deixou muito sensibilizada: a partir de um projeto de formação de corais nas escolas, fui acompanhar a culminância “O Encontro de Corais” no TCA, não me recordo o ano, eram várias escolas e ums dos corais era de meninos e meninas surdos-mudos, eles cantaram a música de Arnaldo Antunes e Brown “Velha Infância” : a música era executada e os alunos interpretavam a através da linguagem de sinais. Nossa !!! Nunca tinha imaginado essa possibilidade, afinal o coral é uma interpretação, uma leitura e essa era a leitura deles...fiquei emocionada.No texto Teófilo enfatiza que não basta “assistir” as pessoas com deficiência mas é necessário mudar também o contexto social para inclusão dessas pessoas “as intervenções e modificações devem ocorrer, dessa forma, também na sociedade, para que esta possa tornar-se realmente acessível e inclusiva”. Neste sentido, as dificuldades estão mais relacionadas as limitações da organização social do que nas limitações específicas de cada deficiência.

Lembrei das dificuldades de locomoção que enfrentei em 2011 por causa de uma infecção que tive no pé esquerdo, foram 02 meses de muleta, e como a cidade, em todos os seus aspectos relacionados a mobilidade e acesso é cruel com os que tem dificuldade de locomoção, não só as pessoas com deficiência motora, mas os idosos e pessoas em reabilitação. Em condições “normais” de mobilidade sempre ando com pressa e nunca havia percebido como o tempo do sinal para travessia dos pedestres é muito curto para que tem dificuldade de locomoção: pude me colocar em outro lugar. Aí o texto traz um conceito muito importante para compreender a inclusão numa outra perspectiva não somente de adaptação que seria Desenho Universal ou desenho para todos: pensar a organização da sociedade e dos espaços “[...] com vistas à participação, utilização e acesso de todas as pessoas”. Isso vai além da perspectiva de adaptação e segregação, com criação de espaços específicos para pessoas com deficiência.

O texto deixa claro que houve necessidade de definição/padronização conceitual, e neste sentido termo Tecnologia Assistiva, no singular, enquanto campo de conhecimento, envolvendo não somente produtos mas também serviços, tem sido o mais aceito pelas associações , comitês e consórcios voltados para essa área; a regulamentação também deve servir de marco para outros entendimentos mas a legislação brasileira ainda utiliza o termo Ajuda Técnica e associa mais aos produtos do que aos serviços e sem uma perspectiva mais ampla de inclusão que, no meu entendimento, passa pela inclusão social num modelo de sociedade excludente.

Não sei se avancei na interpretação textual, mas outras questões quero esclarecer no Seminário de Adriany e Priscila. Nos vemos lá!

2 comentários:

  1. Muito bom seu texto Sigmar! Como sempre! risos...
    Seus exemplos contribuem bastante para exemplificar e melhorar o entendimento do que lemos sobre os conceitos, recursos e serviços da Tecnologia Assistiva.
    Vamos dialogando...

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  2. Priscila,
    aprendi muito com o seminário de vcs, percebi que sabia muito pouco e não é por falta de compromisso com essa demanda social, mas falta de leituras mais aprofundadas.
    abraços

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