sábado, 12 de maio de 2012

Mobilidade e Convergência

A partir da discussão no último seminário, na terça, e no grupo de estudos (quinta-feira) percebi aproximações entre esses temas e por isso resolvi fazer as reflexões na mesma postagem (uma postagem de convergência de temas...rs). Levy (1993) abordava que uma das características das redes digitais era a abertura a novas conexões e que não era possível encontrar a essência ou o núcleo central dos computadores, pois mesmos os mais antigos eram síntese de conhecimentos da informática, eletrônica e de várias ciências, sempre aberto a atualizações. Mas sem dúvida uma marca fundamental das redes é a digitalização, a transformação da informação, qualquer que seja, em bits amplia a plasticidade dessa informação, ao mesmo tempo em que facilita sua transmissão em redes de comunicação: “ a principal tendência neste domínio é a digitalização, que atinge todas as técnicas de comunicação e de processamento de informações. Ao progredir, a digitalização conecta no centro de um mesmo tecido eletrônico o cinema, a radiodifusão, o jornalismo, a edição, a música, as telecomunicações e a informática[...] Ora, a codificação digital relega a um segundo plano o tema do material” (p. 102).
Paralelamente, na dimensão física dos suportes, houve, e ainda há, uma crescente miniaturalização dos equipamentos e isso, sem dúvida, tem a ver com a ‘revolução dos transistores’ como já foi abordado pelo colega Santana em outros momentos, mas que também tive contato durantes as aulas de eletrônica. Penso que são esses dois processos a digitalização das informações e a minituarização dos equipamentos,  que estão na base da mobilidade e da convergência. A convergência de linguagem, que tem seus primórdios nas experiências de multimídia, na década de 1990, visando a integração entre a TV e alguns recursos interativos próprios da informática. A hibridação de linguagens possibilitada pela lógica hipertextual  presente nas redes digitais permite a interface entre diversas mídias,  na chamada hipermídia, e o resultado é mais que a soma das mídias. Mas a convergência engloba questões políticas e culturais, pois essa nova forma de organização e distribuição dos bens culturais, segundo S. Amadeo Silveira(2008) está “[...] desorganizando velhos modelos de controle da indústria cultural e dos serviços de telecomunicações, assim como lançando os grupos econômicos em uma feroz disputa pelos fluxos de riqueza” (p. 31). A industria fonográfica é o exemplo mais evidente dessa realidade. Por outro lado, penso que nem todos os bens culturais ou tecno-científicos estão disponíveis para toda a sociedade, refiro-me a medicina de alta complexidade e suas moderníssimas tecnologias de diagnóstico: nesse campo ainda há uma concentração por algumas indústrias (vejo a marca da Siemens que é uma empresa alemã da época da 2ª Revolução Industrial em muitos equipamentos de tomografia, RX, etc) e o uso fica restrito nos hospitais e clínicas. Mesmo que a interconexão possa potencializar a democracia (Silveira, 2008), acredito, concordo com Marco Silva que há uma mobilização em paralelo a uma despolitização. Um dia chegamos lá!!!!

Lemos (2004) no artigo Cibercultura e Mobilidade: a Era da Conexão argumenta que passamos da Era da Informação, iniciada na década de 70, para a chamada Era da Conexão marcada pela computação ubíqua e pela internet sem fio. Essa fase requer a revisão de conceitos consolidados nos estudos da sociedade e Lemos cita autores da Sociologia da Mobilidade como base para um novo paradigma ‘do social como sociedade para o social como mobilidade’. Alguns desafios para nossa compreensão desse contexto: reexame do significado de proximidade, distância e mobilidade; reconfiguração do tempo/espaço e do público/privado; hibridismo entre espaço físico e eletrônico; nomadismo tecnológico. O autor define mobilidade nestes termos: “Define-se mobilidade como o movimento do corpo entre espaços, entre localidades, entre espaços privados e públicos. Parece que novas práticas do espaço urbano surgem com a interface entre mobilidade, espaço físico e ciberespaço, como veremos adiante” (p. 03). Suas análises e argumentações, que na construção do texto aparecem de forma repetida, enfatizam as conexões que se estabelecem a partir de dispositivos móveis e da internet sem fio, que nos coloca, do ponto de vista tecnológico, diante da possibilidade de ubiqüidade, de onipresença ou de conexão em todos os lugares, potencialmente, pois são as configurações sociais que dão o direcionamento , neste sentido, percebemos, e é explicitado no texto, que se trata da realidade das metrópoles.

Assim, penso que esses processos paralelos de transformação no hardware e no software vão culminar no quadro tecnológico que vivenciamos. E embora sempre nos policiemos para evitar um olhar evolucionista, no campo das técnicas e tecnologias penso como Regis Debray (1996) que “a técnica obedece a um tempo de progressão [...] esse devir sinalizado” (p. 222/223);  que a tecnologia é uma flecha que uma vez disparada não retrocede. E para quem não sabe a diferença entre software e hardware, o Garfield explica bem explicadinho...rs

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