A postagem no blog foi antecedida pela assistência ao filme de Scorcese “A invenção de Hugo Cabret”, película marcada por uma construção poética em torno da invenção do cinema, bem diferente do discurso ideológico forte e da crítica contundente que sempre marcou a produção do diretor. Ele próprio, o cinema, sendo a invenção de sonhos, propõe uma linguage
m que entremeia ficção e realidade, o olhar e a tela. No geral, o filme fala dos anseios e sonhos por trás das invenções, esse processo de artificialização da existência (Arendt, 2004), que dá forma a uma imaginação individual e sintetiza, talvez, a mentalidade coletiva de uma sociedade. As engrenagens dos relógios mecanizando um tempo antes marcado por processos naturais, a perna mecânica do guarda da estação que ao mesmo tempo que permite seus movimentos tirados pela Grande Guerra, o constrange diante da florista, a grande biblioteca onde os livros (essa fantástica tecnologia) transportam os leitores para outros tempos, outras sociedades (como Julio Verne e suas viagens ao desconhecido), os trens e sua velocidade encurtando distâncias, esse elementos compõem a narrativa que nos envolve no filme. Num diálogo bem significativo na biblioteca o menino diz a jovem amiga ‘tudo tem um propósito, até as máquinas: os relógios dizem as horas, e os trens te levam a algum lugar, elas fazem o que deveriam, como Ms. Labise. talvez por isso as máquinas quebradas me deixam tão triste, elas não fazem o que deveriam. Talvez seja igual com as pessoas. Se você perde seu propósito, é como estar quebrado’ expressa-se sabiamente Hugo Cabret.
m que entremeia ficção e realidade, o olhar e a tela. No geral, o filme fala dos anseios e sonhos por trás das invenções, esse processo de artificialização da existência (Arendt, 2004), que dá forma a uma imaginação individual e sintetiza, talvez, a mentalidade coletiva de uma sociedade. As engrenagens dos relógios mecanizando um tempo antes marcado por processos naturais, a perna mecânica do guarda da estação que ao mesmo tempo que permite seus movimentos tirados pela Grande Guerra, o constrange diante da florista, a grande biblioteca onde os livros (essa fantástica tecnologia) transportam os leitores para outros tempos, outras sociedades (como Julio Verne e suas viagens ao desconhecido), os trens e sua velocidade encurtando distâncias, esse elementos compõem a narrativa que nos envolve no filme. Num diálogo bem significativo na biblioteca o menino diz a jovem amiga ‘tudo tem um propósito, até as máquinas: os relógios dizem as horas, e os trens te levam a algum lugar, elas fazem o que deveriam, como Ms. Labise. talvez por isso as máquinas quebradas me deixam tão triste, elas não fazem o que deveriam. Talvez seja igual com as pessoas. Se você perde seu propósito, é como estar quebrado’ expressa-se sabiamente Hugo Cabret.Bem, diz a música que “O desejo é o que torna o irreal possível”. Se esse desejo de artificialização da existência faz parte do que é nossa condição humana, de nossa forma de nos inserir no que denominamos de mundo, os propósitos que movem essa relação homem-técnica, tecnologia –sociedade são transformados em cada contexto histórico. Nesse sentido, as duas grandes guerras expõem o quão contraditório é processo civilizatório ocidental e como as estruturas de poder se apropriam do conhecimento tecnológico para se ‘solidificar’ (no sentido de Bauman). As etapas do processo tecnológico reproduzidas por Alex Primo, a partir da argumentação de Lemos, coloca como os propósitos de dessa relação sociedade-tecnologia são ressignificados também em função do próprio desenvolvimento das técnicas: da fase da indiferença, marcada pela mistura entre arte, religião, ciência e mito até a fase do conforto ou modernidade, onde a ciência e a tecnologia se tornam protagonistas da cosmovisão, chegando a fase atual, da ubiqüidade.
Nesta chamada fase da ubiqüidade, um ponto interessante discutido no texto de E. Correa diz respeito ao controle na rede: a comunicação na rede depende da transmutação em protocolos que funcionam como uma ‘identidade’ dos sujeitos e objetos que circulam e se comunicam na rede, uma codificação das trocas: “em termos práticos, se os protocolos são construídos pelo próprio ser humano para possibilitar as trocas em rede, então é condição inerente da rede a existência do controle da forma de acesso e a construção lógica das informações que nela circulam.” (p. 49). Isso redimensiona as esferas pública e privada da vida social. A comunicação coletiva e a troca de informações por meio de dispositivos digitais, a busca por condições e por um espectro de conectividade caracteriza, segundo Corrêa (2009), a cibercultura, cria uma nova “instância de compartilhamento do público e do privado”, um espaço paralelo.
Nesta chamada fase da ubiqüidade, um ponto interessante discutido no texto de E. Correa diz respeito ao controle na rede: a comunicação na rede depende da transmutação em protocolos que funcionam como uma ‘identidade’ dos sujeitos e objetos que circulam e se comunicam na rede, uma codificação das trocas: “em termos práticos, se os protocolos são construídos pelo próprio ser humano para possibilitar as trocas em rede, então é condição inerente da rede a existência do controle da forma de acesso e a construção lógica das informações que nela circulam.” (p. 49). Isso redimensiona as esferas pública e privada da vida social. A comunicação coletiva e a troca de informações por meio de dispositivos digitais, a busca por condições e por um espectro de conectividade caracteriza, segundo Corrêa (2009), a cibercultura, cria uma nova “instância de compartilhamento do público e do privado”, um espaço paralelo.
A sociedade em rede, conectada e informacional vive uma crise de propósitos? Temos essa impressão quando trazemos esse diálogo para o contexto educacional (durante as formações no NTE os professores questionam para que mesmo a utilização das TIC numa escola que não tem merenda, não tem funcionários de apoio, não tem papel?) e também para as discussões mais cotidianas ou do senso comum. O discurso do pragmatismo é mais fácil de combater e contrapor. Pensar coletivamente os propósitos da ciência e tecnologia é algo mais complexo, exige a implicação e engajamento dos sujeitos nisso. E penso que tais questões não invalidam pensar no potencial do atual desenvolvimento tecnológico e sua penetração nos nossos saberes e vivências (CORRÊA, 2009). Mais uma vez me remeto a uma música de Gil “Queremos saber quando vamos ter raio laser mais barato”...
As leitu
ras e discussões nesse primeiro mês do doutorado têm me trazido mais inquietações do que respostas, fui realmente tirada da posição de conforto das construções intelectuais que me trouxeram até aqui. Me sinto como na imagem ao lado, ao mesmo tempo consciente de ser uma mulher do meu tempo, condicionada pela finitude de minha existência e um pouco presa nos tempos/espaços institucionais. Mas penso que o processo é esse mesmo.E são essas reflexões provisórias, as vezes desconexas e meio caóticas, que tem ajudado a reconstruir o meu lugar nessa ampla discussão em Educação e Tecnologias.
ras e discussões nesse primeiro mês do doutorado têm me trazido mais inquietações do que respostas, fui realmente tirada da posição de conforto das construções intelectuais que me trouxeram até aqui. Me sinto como na imagem ao lado, ao mesmo tempo consciente de ser uma mulher do meu tempo, condicionada pela finitude de minha existência e um pouco presa nos tempos/espaços institucionais. Mas penso que o processo é esse mesmo.E são essas reflexões provisórias, as vezes desconexas e meio caóticas, que tem ajudado a reconstruir o meu lugar nessa ampla discussão em Educação e Tecnologias.
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