Vivenciar esses momentos de transformações e produzir reflexões lúcidas sobre o contexto atual requer a habilidade de dialogar com diferentes teorias e campos do conhecimento para buscar a construção de nossas próprias significações. Na leitura do texto proposto de Bauman, num primeiro momento, fiquei envolvida com suas argumentações sobre a “modernidade líquida”, um outro momento, uma outra fase da modernidade (antes contida na metáfora do relógio como pontua A. Primo, ou da solidez em contraponto com a fluidez que caracteriza o momento atual); a construção textual de Bauman realmente cria uma rede de significações que envolve as teoria, o contexto social, as suas vivências e seu cotidiano. Busquei situar o autor em uma determinada corrente filosófica (seria Bauma pós-moderno? Marxista também não era), mas a cada página de leitura essa identificação ficava ainda mais confusa por que o autor, no meu entendimento, se deteve mais a um esforço de compreensão da sociedade atual do que a um dogmatismo conceitual, o que em nenhum momento trouxe incoerência e inconsistência a seus argumentos.No vídeo outras nuances do seu pensamento afloram. A condição social do mundo pós-moderno é marcada pela passagem da sociedade de produção para a sociedade de consumo e pela fragmentação da vida humana (vida em episódios). Nesse contexto situa 02 processos irreversíveis: a interconexão (o mundo interdependente) e o dilema ambiental (limites de suportabilidade do planeta). No plano político, nos diz que há perigos para a democracia, pois o modelo de democracia atual está pautado nos limites do Estado-nação e há necessidade de instituições que dêem suporte a uma democracia global; a democracia entra em crise pois o modelo de Estado democrático construído no pós-guerra, atualmente, não consegue oferecer as condições mínimas de cidadania que prometeu, terceirizando suas funções (a ex. das atividades de ONG, instituições assistencialistas).
O sociólogo também situa as diferenças entre os laços sociais anteriormente construídos, baseados na idéia de comunidade, e os laços da rede digital pautados em 02 atividades básicas: conectar e desconectar. Interessante que o autor coloca como “o desconectar” caracteriza as relações nas redes sociais, o que no contato físico é mais difícil, traumático, no ciberespaço, basta um clique. Pessoalmente, demorei para entender essa lógica nas redes sociais, minhas estatísticas de amigos nunca subia na mesma proporção que a de outras pessoas que utilizavam os mesmos espaços e, na verdade, me deixava angustiada ver tanta gente ‘linkada’ ao meu perfil, pessoas que eu nem conseguia efetivamente interagir. Na verdade, é essa possibilidade de desconectar que motiva as pessoas a estabelecerem tantos “laços virtuais”; no plano físico buscamos sempre limitar a quantidade de pessoas com as quais interagimos e que podem gerar algum desconforto ou conflito. Para além dos espaços públicos não civis, que Bauman descreve no livro, nos outros espaços de interação (a sala de aula por ex.) vale a máxima “quanto menos somos, melhor passamos”.Na sua reflexão sobre a vida, a existência, coloca a “ a vida como criação” e como a felicidade está relacionada com a capacidade de dar sentido e forma a vida que se quer “há muitas formas de ser feliz”, ligadas segundo Bauman a 02 fatores: o destino (os condicionantes que não são escolhidos por nós) e o caráter; a vida de Sócrates surge como exemplo de vida escolhida. Há alguns meses, o senador Cristovão Buarque, inspirado talvez num movimento social que pleteia a felicidade como direito de cidadania (não recordo aqui o nome do movimento), pautou essa discussão no plano político brasileiro, ao pautar o debate sobre a inclusão desse tão complexo conceito entre os direitos fundamentais, ao lado de outros como saúde, educação, segurança. O que definiria do ponto de vista jurídico a amplitude ou limite a realização desse direito, carregado de ambivalência, contradições e subjetividades? No plano mais coletivo, a civilização vive sua ambivalência no dilema entre segurança e liberdade, e que em cada momento tendemos a abrir mão de um para consolidar o outro e construir o seu padrão civilizatório atual(no momento atual estamos buscando mais segurança, mesmo ao custo de abrir mão de certos padrões civilizatórios de liberdade).
Olá Sigmar,
ResponderExcluirvc começou a estabelecer relação entre as leituras e contexto social e educacional - invista mais nisso, solte-se mais...
abraço
é verdade, Bonilla, mas tenho realmente aproveitado o espaço para organizar as idéias a partir das leituras, acho q mais para isso do que para me comunicar...tem sido um divã...rs...mas valeu a dica! [ ]s
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