quinta-feira, 24 de maio de 2012

Do que se fala quando o assunto é inclusão digital: aproximações


O tema inclusão digital, numa sociedade marcada pela institucionalização da exclusão, cujo o principal alicerce talvez seja o direito a propriedade privada, como nos diria Rousseau, ainda no século XVIII, (Discurso sobre as Origens da desigualdade entre os homens), tem um apelo de justiça social contido no termo inclusão. Nessa primeira acepção, “o Digital” é apenas um complemento que poderia ser substituído por outros termos representantes de demandas igualmente legitimas: inclusão educacional, inclusão financeira, inclusão cultural, inclusão no mercado de trabalho ou, mais abrangentemente, inclusão social. No entanto, a presença maciça das TIC digitais nas mais variadas atividades sociais, coloca a inclusão digital em primeiro plano. 



Vamos começar analisando os sentidos da categoria inclusão social. O termo complementar, exclusão, também aparece em diferentes discursos, relacionando-se com aspectos sociais específicos, processos que abarcam desde a degradação das relações sociais às desigualdades múltiplas postas em ação pela forma violenta da acumulação capitalista em nosso país” e até mesmo pessoas 'os excluídos' (Ferreira, 2006, p. 02) . Mônica Ferreira questiona a “migração de idéias” ou apropriação de conceitos que está por trás da banalização de muitos conceitos, retirados de seu contexto de produção e isolado das referências teóricas com que dialogava. Assim é que diversos conceitos são utilizados para justificar o injustificável no neoliberalismo e para estabelecer “os limites do pensável e[...] circunscrever o contestável” (p. 06). No plano das políticas públicas, a autora aponta que a exclusão aparce como “resíduo necessário” das incontestáveis leis de mercado e do modelo de globalização implantado, que pode ser amenizada através de soluções técnicas e competência administrativa e não por políticas. Resgata autores como Martins (1997) para quem o que se chama de exclusão é na verdade os problemas resultantes da reconfiguração da sociedade no capitalismo atual, a inclusão subordinada, ou seja, o capitalismo dessenraiza e exclui para depois incluir segundo sua lógica: “[...]exclusão , passa pela redefinição de posições e localizações das pessoas no mundo do trabalho particularmente, e na vida social em geral”.(p. 07). Para o autor, apesar da exclusão e inclusão fazerem parte da estrutura capitalista, a exclusão tem se tornado tão evidente pelas formas precarizadas e pelo distanciamento entre esse dois processos. Outro autor citado é Oliveira que afirma ser a exclusão a marca do capitalismo na América Latina, onde se implanta o modelo de capitalismo neoliberal numa estrutura política-econômica arcaica, o que chamei de modernização conservadora (termo tb utilizado por Cysneiro), e que denomina de o atraso da vanguarda e a vanguarda do atraso. Para esse autor a exclusão refere-se ao descarte de parte da população nos paises latino americanos para se subordinar aos capitalismo global.


Bem chegamos na inclusão digital: seria um recorte da questão mais ampla da inclusão social? Bonilla e Oliveira (2011) situam o início do debate sobre inclusão digital no contexto de implantação dos programas Sociedade da Informação em diversos países, mas principalmente nos países europeus e nos EUA na década de 90. A desigualdade do acesso às TIC têm servido de base para políticas de inclusão digital de diferentes alcance e princípios (universalização ou democratização do acesso? ) e fomentado o debate acadêmico acerca das significações da inclusão/exclusão digital (Possibilita a inserção na cibercultura?). Como pensar a inclusão digital numa sociedade que tem uma lógica excludente, ou melhor, de níveis de inclusão diferenciados? A ampliação e aprofundamento dessa questão levaria ao questionamento sobre as bases do modelo de sociedade hegemônico e a perspectiva de transformação do mesmo, uma dimensão que as políticas compensatórias não buscam pois sua função é a manutenção desse modelo “A luta pela inclusão é também uma luta paran manter a sociedade que produz a exclusão” (MARLENE RIBEIRO, 1999 apud Bonilla e Oliveira, 2011). Inclusão tb não significa apenas tornar os sujeitos consumidores de informação, de objetos, de cultura, mas possibilitar a participação ativa na sociedade como sujeitos produtores de cultura. Os argumentos apresentados pelos autores apontam que a criação de infraestrutura de acesso às redes digitais para toda sociedade é apenas um aspecto da construtução da nova cidadania, a possibilidade de inserção ativa, autoral na nova esfera pública é um aspecto essencial da emancipação dos sujeitos.

André Lemos, numa artigo publicado no Correio Brasiliense, em 2003, trazia a importância que o tema adquiria, especialmente em países como o Brasil, marcado pela exclusão damaioria da população dos bens básicos e dos direitos legais, e os limites da discussão até aquele período. Segundo o autor, os dogmas da inclusão digital estavam ligados a uma visão limitadora e tecnocrática: a sociedade deve ser incluída na sociedade da informação, ponto final; deve-se criar condições de infraestrutura para o acesso aos serviços digitais; a principal estratégia é a instalação de telecentros. Estudioso da cibercultura, Lemos questiona esses dogmas e os objetivos que permeiam essas premissas “incluir para que e para quem?” Nessa perspectiva, incluir é adaptar ao status quo; tendo a concordar com o autor. Os telecentros são estratégias que seguem essa perspectivas (talvez por isso as pessoas prefiram o acesso privado ao acesso gratuito nestes locais). Por fim, define inclusão: “Incluir é ter capacidade livre de apropriação dos meios, que não é só técnica, mas sociocognitiva ”. Essa análise de Lemos nos faz pensar que a tão propalada inclusão social pode significar apenas adaptar a um modelo social vigente decadente, em crise.

São muitas questões, todas profundas e interrelacionadas, para compreensão do problema em sua complexidade e não a partir dos dogmas que muitas vezes limitam a análise da inclusão digital.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Tecnologia Assistiva e inclusão social


Esse tema “Tecnologia Assistiva” é de fundamental importância para se pensar uma sociedade plenamente igualitária. Apesar de defender politicamente a inclusão das pessoas com deficiência, a falta de leitura e aprofundamento coloca meu discurso mais no plano do senso comum, sem pensar nos fundamentos dessa inclusão. O texto sugerido (um deles) “Tecnologia Assistiva: de que se trata?” de Teófilo Galvão F° resgata tanto o aspecto conceitual quanto os marcos legais sobre essas tecnologias. Penso que é uma incompletude discutir TIC e não ter apropriação teórica sobre Tecnologia Assistiva.

Durante a leitura, relacionei com algumas experiências pessoais que foram importantes pontos de aproximação com o tema. A primeira foi uma experiência na rede municipal que me deixou muito sensibilizada: a partir de um projeto de formação de corais nas escolas, fui acompanhar a culminância “O Encontro de Corais” no TCA, não me recordo o ano, eram várias escolas e ums dos corais era de meninos e meninas surdos-mudos, eles cantaram a música de Arnaldo Antunes e Brown “Velha Infância” : a música era executada e os alunos interpretavam a através da linguagem de sinais. Nossa !!! Nunca tinha imaginado essa possibilidade, afinal o coral é uma interpretação, uma leitura e essa era a leitura deles...fiquei emocionada.No texto Teófilo enfatiza que não basta “assistir” as pessoas com deficiência mas é necessário mudar também o contexto social para inclusão dessas pessoas “as intervenções e modificações devem ocorrer, dessa forma, também na sociedade, para que esta possa tornar-se realmente acessível e inclusiva”. Neste sentido, as dificuldades estão mais relacionadas as limitações da organização social do que nas limitações específicas de cada deficiência.

Lembrei das dificuldades de locomoção que enfrentei em 2011 por causa de uma infecção que tive no pé esquerdo, foram 02 meses de muleta, e como a cidade, em todos os seus aspectos relacionados a mobilidade e acesso é cruel com os que tem dificuldade de locomoção, não só as pessoas com deficiência motora, mas os idosos e pessoas em reabilitação. Em condições “normais” de mobilidade sempre ando com pressa e nunca havia percebido como o tempo do sinal para travessia dos pedestres é muito curto para que tem dificuldade de locomoção: pude me colocar em outro lugar. Aí o texto traz um conceito muito importante para compreender a inclusão numa outra perspectiva não somente de adaptação que seria Desenho Universal ou desenho para todos: pensar a organização da sociedade e dos espaços “[...] com vistas à participação, utilização e acesso de todas as pessoas”. Isso vai além da perspectiva de adaptação e segregação, com criação de espaços específicos para pessoas com deficiência.

O texto deixa claro que houve necessidade de definição/padronização conceitual, e neste sentido termo Tecnologia Assistiva, no singular, enquanto campo de conhecimento, envolvendo não somente produtos mas também serviços, tem sido o mais aceito pelas associações , comitês e consórcios voltados para essa área; a regulamentação também deve servir de marco para outros entendimentos mas a legislação brasileira ainda utiliza o termo Ajuda Técnica e associa mais aos produtos do que aos serviços e sem uma perspectiva mais ampla de inclusão que, no meu entendimento, passa pela inclusão social num modelo de sociedade excludente.

Não sei se avancei na interpretação textual, mas outras questões quero esclarecer no Seminário de Adriany e Priscila. Nos vemos lá!

sábado, 12 de maio de 2012

Mobilidade e Convergência

A partir da discussão no último seminário, na terça, e no grupo de estudos (quinta-feira) percebi aproximações entre esses temas e por isso resolvi fazer as reflexões na mesma postagem (uma postagem de convergência de temas...rs). Levy (1993) abordava que uma das características das redes digitais era a abertura a novas conexões e que não era possível encontrar a essência ou o núcleo central dos computadores, pois mesmos os mais antigos eram síntese de conhecimentos da informática, eletrônica e de várias ciências, sempre aberto a atualizações. Mas sem dúvida uma marca fundamental das redes é a digitalização, a transformação da informação, qualquer que seja, em bits amplia a plasticidade dessa informação, ao mesmo tempo em que facilita sua transmissão em redes de comunicação: “ a principal tendência neste domínio é a digitalização, que atinge todas as técnicas de comunicação e de processamento de informações. Ao progredir, a digitalização conecta no centro de um mesmo tecido eletrônico o cinema, a radiodifusão, o jornalismo, a edição, a música, as telecomunicações e a informática[...] Ora, a codificação digital relega a um segundo plano o tema do material” (p. 102).
Paralelamente, na dimensão física dos suportes, houve, e ainda há, uma crescente miniaturalização dos equipamentos e isso, sem dúvida, tem a ver com a ‘revolução dos transistores’ como já foi abordado pelo colega Santana em outros momentos, mas que também tive contato durantes as aulas de eletrônica. Penso que são esses dois processos a digitalização das informações e a minituarização dos equipamentos,  que estão na base da mobilidade e da convergência. A convergência de linguagem, que tem seus primórdios nas experiências de multimídia, na década de 1990, visando a integração entre a TV e alguns recursos interativos próprios da informática. A hibridação de linguagens possibilitada pela lógica hipertextual  presente nas redes digitais permite a interface entre diversas mídias,  na chamada hipermídia, e o resultado é mais que a soma das mídias. Mas a convergência engloba questões políticas e culturais, pois essa nova forma de organização e distribuição dos bens culturais, segundo S. Amadeo Silveira(2008) está “[...] desorganizando velhos modelos de controle da indústria cultural e dos serviços de telecomunicações, assim como lançando os grupos econômicos em uma feroz disputa pelos fluxos de riqueza” (p. 31). A industria fonográfica é o exemplo mais evidente dessa realidade. Por outro lado, penso que nem todos os bens culturais ou tecno-científicos estão disponíveis para toda a sociedade, refiro-me a medicina de alta complexidade e suas moderníssimas tecnologias de diagnóstico: nesse campo ainda há uma concentração por algumas indústrias (vejo a marca da Siemens que é uma empresa alemã da época da 2ª Revolução Industrial em muitos equipamentos de tomografia, RX, etc) e o uso fica restrito nos hospitais e clínicas. Mesmo que a interconexão possa potencializar a democracia (Silveira, 2008), acredito, concordo com Marco Silva que há uma mobilização em paralelo a uma despolitização. Um dia chegamos lá!!!!

Lemos (2004) no artigo Cibercultura e Mobilidade: a Era da Conexão argumenta que passamos da Era da Informação, iniciada na década de 70, para a chamada Era da Conexão marcada pela computação ubíqua e pela internet sem fio. Essa fase requer a revisão de conceitos consolidados nos estudos da sociedade e Lemos cita autores da Sociologia da Mobilidade como base para um novo paradigma ‘do social como sociedade para o social como mobilidade’. Alguns desafios para nossa compreensão desse contexto: reexame do significado de proximidade, distância e mobilidade; reconfiguração do tempo/espaço e do público/privado; hibridismo entre espaço físico e eletrônico; nomadismo tecnológico. O autor define mobilidade nestes termos: “Define-se mobilidade como o movimento do corpo entre espaços, entre localidades, entre espaços privados e públicos. Parece que novas práticas do espaço urbano surgem com a interface entre mobilidade, espaço físico e ciberespaço, como veremos adiante” (p. 03). Suas análises e argumentações, que na construção do texto aparecem de forma repetida, enfatizam as conexões que se estabelecem a partir de dispositivos móveis e da internet sem fio, que nos coloca, do ponto de vista tecnológico, diante da possibilidade de ubiqüidade, de onipresença ou de conexão em todos os lugares, potencialmente, pois são as configurações sociais que dão o direcionamento , neste sentido, percebemos, e é explicitado no texto, que se trata da realidade das metrópoles.

Assim, penso que esses processos paralelos de transformação no hardware e no software vão culminar no quadro tecnológico que vivenciamos. E embora sempre nos policiemos para evitar um olhar evolucionista, no campo das técnicas e tecnologias penso como Regis Debray (1996) que “a técnica obedece a um tempo de progressão [...] esse devir sinalizado” (p. 222/223);  que a tecnologia é uma flecha que uma vez disparada não retrocede. E para quem não sabe a diferença entre software e hardware, o Garfield explica bem explicadinho...rs

domingo, 6 de maio de 2012

Seminário Interatividade

No dia 08, próxima terça, eu, Harlei e Ugo traremos para a discussão o tema INTERATIVIDADE, por isso, gostaríamos e agradeceríamos bastante a participação dos(as) companheiros(as) de disciplina na construção do nosso seminário. Sintam-se à vontade para alterar, sugerir temáticas, concordar, discordar....enfim, remixar o nosso plano para o seminário, que segue abaixo:"

Organização do seminário:

1)      Conceitos básicos de interatividade
. O que é interatividade?
. Interatividade X Interação
. Conceito de ‘interacionismo’
. Níveis de interatividade - Podemos falar em níveis? (graus qualitativos de interatividade)

2)      Propostas de discussões:
. Interação e socialização
. Existe a possibilidade de um terceiro, fora do processo de interação, avaliar o grau de interatividade?
. As tecnologias digitais potencializam a interatividade? Como?
. Seria possível construir um sistema computacional que possa avaliar a interatividade?

3)      Interatividade e educação: potencialidades para o aprendizado

4)      Interfaces
Exemplos de recursos interacionais

Como inspiração, segue trechos de experimentações a partir do Parangolé de Hélio Oiticica, criação dentro da concepção de arte interacionista.


domingo, 29 de abril de 2012

A nossa blogosfera

Para manter o hábito (ou será o vício?) de publicação no blog, fui navegar nos blogs dos colegas, algo que já vinha fazendo, mas sem conseguir dar conta de todos...ao som do Led Zeppelin “The Song Remains The Sam”...a guitarra de Jimmy Page é fantástica!!!!! A leitura dos textos é muito importante, mas tem sido enriquecidas com as discussões e as publicações e comentários...me levam a rever o que pensei e publiquei. Embora exista a possibilidade de edição das postagens, acho legal manter o texto sem o lapidar, são idéias em construção mesmo. Após os seminários da última aula (que bom que fiquei em ssa para participar), as discussões que moveram, a postagem seria outra.Vou vasculhar as últimas postagens da nossa blogosfera.
 Interessante como cada autor imprime sua marca no blog, seja através do texto, seja através do visual. Os colegas da área de comunicação têm um cuidado especial para que suas postagens se comuniquem com os possíveis leitores (os títulos das postagens de Ugo já convidam para a leitura imediata, a imagens são articuladas com os conteúdos, bem bacana), a atualidade dos fatos que mencionam; o blog de Daniel é de alguém mesmo high tech que transita muito a vontade entre as diversas possibilidades gráficas e comunicacionais das TIC; as palavras envolventes de Handherson torna a leitura de suas postagens sempre um exercício agradável; os blogs de Santana e Harlei e Santana remetem a minha formação técnica, que não foi tecnicista, e as reflexões críticas de ambos demonstram que a formação na chamada Área 1 não precisa ser alienada; Adriany busca sempre estabelecer o diálogo sensível entre os autores e seu objeto, construindo um olhar todo especial (fiquei muito impressionada com o modo como ressignifica as categorias teóricas a partir das especificidades da deficiência visual, ainda não avancei neste sentido); o blog de Léa (que é fofo!) resgatou a importância de reler Vygotsky que, embora não tenha produzido no contexto da cibercultura, pensa o desenvolvimento psicológico/cognitivo e as linguagens como algo histórico e contextual, o que abre nossas possibilidades de interpretá-lo para esse momento; o blog de Helena expressa muitas idéias interessantes que ela não verbaliza na sala, mas que bom que tem o registro nesse espaço;  Ferdinando lançou mais questões do que respostas para fomentar o debate, com a poesia de Gil inspirando outras viagens; li o blog de Irinaldo para saber o que pensa, o perfil não tem informações, parece bem reservado; como não lembrar da nostalgia da postagem de Priscila que, em outro momento, também me jogou nas lembranças de minha infância num lugar que não existe mais pq foi destruído pela exploração de minerais “A grana que ergue e destrói coisas belas”.
Robert Plant, que é super performático, apresenta Stairway to Heaven como uma música sobre esperança, esta foi a música que me levou até o L. Zeppelin. Lendo a postagem de Pedro sobre Ativismo em rede (não havia lido antes), desperta um sentimento de esperança, de que pelo menos a indignação não morreu e nem foi sepultada pelo neoliberalismo. A indignação que permeia as reflexões de Julio sobre a Educação e a escola pública sucateada por muitas políticas educacionais mal intencionadas, ou melhor, políticas escrotas! São angústias que também compartilho como militante da educação pública.


Na verdade quero com essa postagem homenagear a turma toda e a capitã (Bonilla) por estarem me proporcionando momentos tão significativos nesse semestre do curso. Tem sido prazeroso e de muita aprendizagem. Adicionei os blogs nos favoritos para ler em vários momentos. Infelizmente, a Academia não é sempre isso, as vezes deixa de ser um espaço de construção do conhecimento e se perde em disputas de poder (ou só de ego) e em questões mesquinhas.
Para quem não sabe o que é rock’n’roll melhor que ouvir  NX Zero e coisas do gênero, é , o o solo de bateria de John Bonham em Moby Dick ou o baixo de J. Paul Jones em Heart breaker, o bom e velhor rock,n,roll. E a tropa é hard que nem o rock, osso duro de roer!!!!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Objetos de aprendizagem: reflexões iniciais


O tema Objetos de aprendizagem a princípio parece muito próximo dos professores que lidam constantemente com os processos de ensino/aprendizagem de alunos. De forma ampla penso que todos os meios ou dispositivos ou ambientes utilizados para promover a aprendizagem seriam os tais objetos. No plano mais filosófico podemos pensar na própria construção do conhecimento a partir da relação sujeito-objeto (na perspectiva construcionista que estudamos na disciplina do prof. Roberto Sidnei). Aqui o recorte são os objetos de aprendizagem que tem como suporte as Tecnologias Digitais (as redes telemáticas) utilizadas na educação on line e outros sistemas de aprendizagem em rede.

Me detive na leitura de DIAS, Paulo. Desenvolvimento de objetos de aprendizagem para plataformas colaborativas que foi indicada pelo grupo responsável pelo Seminário (uma boa indicação). O autor entende a Web não apenas como um depositório de informações, mas como redes que permitem a construção coletiva e colaborativa de aprendizagens, especialmente através das comunidades. Ele aponta que pensar na aprendizagem on line requer novos fundamentos educacionais, assim como “[...] flexibilização dos modelos organizacionais dos conteúdos que estão na origem do conceito de objeto de aprendizagem (Hodgins, 2002; Wiley, 2002).” (p. 163). Além desses aspectos pontua a necessidade de uma atitude pro-ativa por parte dos estudantes que se lançam na aprendizagem on line que requer disciplina, autonomia e competências metocognitivas de aprendizagem: “[...] aprendizagem as quais, no ambiente on-line, são definidas a partir da capacidade de aprender a aprender individual e colaborativamente através da pesquisa, da interacção e da construção partilhada e conjunta do conhecimento.” (p. 164). Saleienta que o objeto de aprendizagem não se reume ao conteúdo mas também ao processo que envolve a colaboração e a própria modelagem dos processos de ensino/aprendizagem.

Na definição de objetos de aprendizagem toma como referência as Ciências da Computação e a definição de Wiley (2002) como “qualquer recurso digital que pode ser reutilizado para suportar a aprendizagem”, pequenas unidades de instrução. A flexibilidade dos objetos de aprendizagem está pautada em duas características: a combinação (capacidade de adaptação a diversas plataformas e propostas educacionais) e a granularidade (relativa a dimensão do objeto). O autor amplia essa perspectiva ao analisar que para as comunidades colaborativas, os objetos de aprendizagem possuem organização e complexidades próprias e devem possibilitar a utilização em processos de troca e construção de conhecimento mais complexos do que na aprendizagem individual.

Concordo com o autor que a construção de comunidades de aprendizagem on line envolve quastões mais complexas que apenas a disponibilização de plataformas de acesso a conteúdos. Depende da interação, participação e engajamento dos sujeitos na busca por objetivos de aprendizagem. Acrescento que a questão metodológica também influencia. Pessoalmente, não gosto do modelo de educação on line que utiliza a tutoria, vejo que o processo de ensino-aprendizagem e sua organização fica bem fragmentado: uns elaboram o curso, outros formatam, outros (os tutores) acompanham algo que não conceberam e nem participaram da elaboração. Penso que o Moodle é uma Plataforma que possibilita uma maior integração dos processos: o mesmo professor pode elaborar, acompanhar  os alunos e modelar seu ambiente de aprendizagem; mas isso para turmas reduzidas, pois não é comunicação em massa!!!
No plano das políticas públicas, a educação a distância on line tem aparecido como solução para a democratização da formação, após todo um longo processo de exclusão da maioria dos brasileiros, especialmente do Ensino Superior e para os processos de diplomação de professores. Muitas vezes, os projetos de formação seguem uma lógica de aligeiramento da formação que não contribui qualitativamente com uma educação democrática e de qualidade.

O leitor, o texto e o hipertexto


Ao refletir sobre o hipertexto como não remeter ao contexto social da leitura e da escrita, pesquisado  e analisado por Roger Chartier. Denise B. Braga resgata os estudos do autor para falar sobre “a escrita híbrida na Internet”: as marcas de oralidade que caracteriza a linguagem dos chats; a hibridação entre a escrita, oralidade, imagem; a hipertextualidade materializada na estrutura dos textos da internet, a hipermídia. Da leitura fica como idéia principal a percepção de que as linguagens se transformam em função dos suportes, das transformações de cada linguagem e dos contextos de leitura. Assim, as marcas gráficas que hoje conhecemos como a organização em parágrafos, as colunas, a pontuação foram incorporadas a escrita gradativamente o que permitia maior autonomia do leitor. Essa percepção da construção histórica das linguagens pode servir de base para desmistificar alguns preconceitos em relação a escrita da internet: que a internet não estimula a leitura e escrita; que a escrita é fragmentada e não-linear e portanto sem lógica. Essas afirmações partem de uma percepção da escrita como uma linguagem estática que não sofreu transformações ao longo do tempo.
Aquino (2006) afirma que a  estrutura do hipertexto surge após a Idade Média, mas o termo seria utilizado em 1965 por Ted Nelson no projeto Xanadu  e exemplificado nas experimentações do matemático/físico Vannevan Bush em 1945. As remissões, índices pessoais, comentários dos leitores relacionando com outras obras, anotações nas margens (chamadas de marginalias) eram marcas de uma leitura hipertextual. Do projeto Memex  de V. Bush a linguagem HTML  e os protocolos HTTP de Berners-Lee, os sistemas criados buscam materializar a complexidade da organização do pensamento humano, suas trilhas associativas, sua forma de armazenamento e resgate das informações, as conexões e redes neurais.
A argumentação da autora, questionável, é de que a Web mutila a as práticas bilaterais e perspectiva de coletividade das primeiras experiências de escrita hipertextual. O argumento talvez seja válido se pensarmos nas primeiras experiências da internet, onde apenas conteúdos eram disponibilizados (sites de instituições, portais de jornais e revistas) com poucas possibilidades de interatividade, apenas a interação reativa (definida por Alex Primo) “[...]pois o usuário fica limitado a escolher entre uma quantidade de links e a simplesmente navegar por entre este mar de opções, porém incluir novos rumos, ou
seja, novos links, isto não lhe é facultado” (p. 07). Primo apresenta uma classificação dos hipertextos de acordo com caráter  interativo: hipertexto potencial, hipertexto colagem e hipertexto cooperativo, este último permitindo a construção coletiva entre criador e usuário.
Se pensarmos na Web 2.0 outras perspectivas estão em ação: a comunicação, a interatividade, a autoria, a indexação e a construção de conhecimento tendem a coletividade. Sites de relacionamento, fóruns de discussão,chats, comunidades virtuais, blog, fotologs, Wikipédia, Twiter são exemplos. O próprio texto faz referência a essa nova realidade na Web  a partir dos estudos de Doughtey e O’Reilly que “enumera sete princípios da Web 2.0, dos quais três se fazem de extrema importância neste estudo: a) Controle original excedente, difícil de recriar as origens dos dados que os tornam mais ricos quanto mais pessoas os usarem; b) Confiar nos usuários como co-desenvolvedores; c) Aproveitar a inteligência coletiva (O’reilly, 2005, online)”. Interessante perceber como muitas vezes nossas escolhas são influenciadas por opiniões de internautas com os quais não mantemos nenhuma relação de confiança ou contato próximo. Pessoalmente, busco essas avaliações quando vou comprar algum produto na internet, mas também quando busco outros tipos de informação. Lógico que somente a avaliação dos internautas não determina minhas escolhas, outros fatores são importantes, mas leio os comentários.

A leitura vai além da decodificação do texto escrito. Ela envolve o entendimento sobre o escrito, sobre as entrelinha (o que está subentendido), sobre o tempo/lugar de onde fala o autor (contexto de produção), as relações de significação do leitor. Aliás, como não pensar na leitura como uma aventura hipertextual? Tenho gostado muito da leitura dos blog dos colegas, tem trazido outras reflexões e os comentários também! Os comentários nos blogs tem uma significância enorme para a interatividade e construção coletiva (responde por 30% da blogosfera), além de possibilitar redes de relacionamento entre os comentaristas. Estamos no caminho da construção do webrings (R. Ricuero), mas será que manteremos essa rede após a disciplina? Desejo que sim.