m que entremeia ficção e realidade, o olhar e a tela. No geral, o filme fala dos anseios e sonhos por trás das invenções, esse processo de artificialização da existência (Arendt, 2004), que dá forma a uma imaginação individual e sintetiza, talvez, a mentalidade coletiva de uma sociedade. As engrenagens dos relógios mecanizando um tempo antes marcado por processos naturais, a perna mecânica do guarda da estação que ao mesmo tempo que permite seus movimentos tirados pela Grande Guerra, o constrange diante da florista, a grande biblioteca onde os livros (essa fantástica tecnologia) transportam os leitores para outros tempos, outras sociedades (como Julio Verne e suas viagens ao desconhecido), os trens e sua velocidade encurtando distâncias, esse elementos compõem a narrativa que nos envolve no filme. Num diálogo bem significativo na biblioteca o menino diz a jovem amiga ‘tudo tem um propósito, até as máquinas: os relógios dizem as horas, e os trens te levam a algum lugar, elas fazem o que deveriam, como Ms. Labise. talvez por isso as máquinas quebradas me deixam tão triste, elas não fazem o que deveriam. Talvez seja igual com as pessoas. Se você perde seu propósito, é como estar quebrado’ expressa-se sabiamente Hugo Cabret.Nesta chamada fase da ubiqüidade, um ponto interessante discutido no texto de E. Correa diz respeito ao controle na rede: a comunicação na rede depende da transmutação em protocolos que funcionam como uma ‘identidade’ dos sujeitos e objetos que circulam e se comunicam na rede, uma codificação das trocas: “em termos práticos, se os protocolos são construídos pelo próprio ser humano para possibilitar as trocas em rede, então é condição inerente da rede a existência do controle da forma de acesso e a construção lógica das informações que nela circulam.” (p. 49). Isso redimensiona as esferas pública e privada da vida social. A comunicação coletiva e a troca de informações por meio de dispositivos digitais, a busca por condições e por um espectro de conectividade caracteriza, segundo Corrêa (2009), a cibercultura, cria uma nova “instância de compartilhamento do público e do privado”, um espaço paralelo.
ras e discussões nesse primeiro mês do doutorado têm me trazido mais inquietações do que respostas, fui realmente tirada da posição de conforto das construções intelectuais que me trouxeram até aqui. Me sinto como na imagem ao lado, ao mesmo tempo consciente de ser uma mulher do meu tempo, condicionada pela finitude de minha existência e um pouco presa nos tempos/espaços institucionais. Mas penso que o processo é esse mesmo.E são essas reflexões provisórias, as vezes desconexas e meio caóticas, que tem ajudado a reconstruir o meu lugar nessa ampla discussão em Educação e Tecnologias. 
